Audio Analógico é melhor que o Digital?

Afinal, o Audio Analógico é mesmo melhor que o Digital?

A tecnologia do Audio Digital com qualidade existe desde o início da década de 90, mas foi somente a partir de 1999 que os estudios começaram a se render às facilidades do mundo digital quando a Columbia Records, atual Sony Music, lançou o hit Living La Vida Loca com Ricky Martin.

Studer Tape Machine
Gravador de Rolo Studer da década de 80

Até aquele momento nenhum estúdio acreditava que um computador poderia de fato substituir vários equipamentos analógicos.

Livin la vida loca cover
Single “Livin’ La Vida Loca” de 1999

Foi só a partir dali que começou a se popularizar nos estúdios o tal do ProTools.

Protools first gui
O Avid Pro Tools ainda é o software tipo “Digital Audio Workstation” mais utilizado no mundo na produção musical.

Mas de uns anos pra cá, a coisa parece ter tomado outros rumos, porque muitos estúdios tem investido pequenas fortunas em equipamentos analógicos, inclusive, alguns desses equipamentos já não são produzidos há mais de décadas, ou seja, são equipamentos usados, sem garantia nenhuma de que não vão continuar funcionando por muito tempo sem que haja manutenção periódica e mesmo assim custam muito caro.

Então… as pessoas enlouqueceram?

O que está acontecendo?

Afinal, o audio analógico realmente é muito melhor ou não faz diferença alguma se é digital ou analógico?

ERA UMA VEZ NO YOUTUBE…

Eu já topei com um vídeo onde um “notório youtuber” queria demonstrar que o simples fato dele converter uma música de digital para analógico a 192kHz com seu DAC super valioso, e transpassando a música convertida por seus outros vários equipamentos analógicos, com eles todos em modo bypass, e re-convertendo ela para digital no fim, só isso… já faria a música soar muito melhor!

Provavelmente esse Youtuber classifica “magia” e “eletrônica analógica” como coisas similares e por conta disso só consegue relatar percepções pessoais e não o conhecimento de fato.

Mas o fato é que muitos desses “notórios youtubers”, quando falam sobre conversão de digital para analógico ou de conversão de analógico para digital, acreditam que essas conversões acontecem perfeitamente sem qualquer distorção ou ruído.

Entretanto, sempre existem distorções causadas nessas conversões.

E pior, há sempre um ruído digital que não agrada nossos ouvidos e que precisa ser removido na etapa de masterização, ou antes se detectado.

Então, permita-me tentar explicar essa questão do “milagre do bypass” no qual esse Youtuber acredita..

O sinal analógico quando ele percorre vários conectores e várias chaves de bypass sofre distorções analógicas proporcionais à energia daquele sinal a cada instante.

E esses pequenos ruídos analógicos que surgem, são algo “positivo” para os nosso ouvidos.

Os conectores e as emendas são os “vilões” neste caso, eles podem e de fato adicionam pequenas distorções, porque fisicamente um conector e uma emenda nunca estão acoplados igualmente em todos os pinos.

Além disso, muitas vezes o conector que está no cabo e o conector que está no equipmanto possuem contatos com ligas de metais diferentes, o que adiciona uma pequena resistência aleatória que também vai acarretar numa pequena distorção do sinal.

Em resumo, o “notório youtuber” na verade estava ouvindo a música dele somada a ruídos digitais pouco perceptíveis e a ruídos analógicos consideravelmente perceptíveis.

E na cabeça dele essa música modificada soou melhor do que a música original no formato digital.

Mas será que os ouvidos desse cara estão errados em achar essa modificação melhor?

Bom, na verdade os ouvidos dele não estão errados.

O problema está na explicação maluca dele, na cura milagrosa que ele atribui apenas aos seus equipamentos analógicos.

Mas, vamos aos fatos para tentar explicar essa confusão.

A CIÊNCIA EXPLICA

Há muitas pesquisas científicas, feitas a teste cego, que já comprovaram que o ser humano sempre vai apontar que a música com ruído é melhor que a música sem ruído.

E psicologicamente isso é explicado porque naturalmente estamos acostumados a ouvir, o tempo todo, sons imperfeitos.

E o ruído adicionado traz essa naturalidade, essa pequena imperfeição que nos é de costume, que é a nossa referência auditiva.

Essa adição do ruído numa música, faz da música algo muito mais natural aos nossos ouvidos do que uma música computacionalmente perfeita, totalmente digital e simetricamente pensada que acaba ficando chata e artificial aos nossos ouvidos.

Óbvio, o bom é apenas um pouco de ruído e um ruído que não se destaque tanto da música a ponto de você claramente perceber a existência dele ali.

Mas esse é apenas um quesito, eu vou explorar mais 4 quesitos aqui numa disputa entre o Audio Digital e o Audio Analógico.

Quesito número 2:  “Gerar o som”.

Vamos supor que você está montando uma trilha sonora que precisa de trechos sendo executados por um violino.

Você está montando, digitalmente na sua DAW predileta.

Para adicionar à sua mix o som do Violino você tem duas opções:

– utilizar um software que sintetiza o som de um violino que possui amostras reais previamente gravadas, sendo possível controlar com qualquer teclado ou controlador MIDI.

O Komplete da Native Instruments seria um ótimo exemplo de software para emular instrumentos diversos.

Com ele você consegue simular som de Guitarra, Violão, Baixo, Bateria, Violino, Piano, Percussões, entre outros tantos instrumentos… e tudo com qualidade máxima.

Mas essa é a possibilidade de geração do som de forma digital.

Qual seria a forma analógica de gerar o som?

– Do jeito de sempre: contratar um ótimo musicista para gravar num ótimo estúdio as partes da música que você quer que sejam tocadas num violino.

Só que dessa forma analógica você também fica encarregado de fazer o setup de gravação e o posterior tratamento do audio gravado, para só então ser utilizado em sua mix.

Se você está produzindo música constantemente e sempre pensando na maior variedade possível de timbres, o Audio Digital leva a melhor pelo fato de já estar pronto pra uso, agilizar a produção da música e ter custo menor, já que o custo do software é pago uma única vez.

Um a um no placar.

E agora quesito 3: captação do som.

Captação analógica ou digital do som?

Na captação analógica do som você tem uma fonte sonora emitindo som, como por exemplo um piano.

E você tem um ou vários microfones captando esse som e enviando para uma interface de audio transformar em informação digital.

Novamente supondo aqui que você vai utilizar esse som numa mix em sua DAW predileta.

E a captação digital seria a mesma coisa que ler a informação MIDI que vem do seu teclado MIDI.

MIDI significa Interface Digital para Instrumento Musical, ou seja, feita para obter informações digitais de instrumentos e não o som de fato.

Então ao pressionar as teclas do teclado, o protocolo MIDI envia a sua D-A-W uma informação digital que será posteriormente convertida em som, com a utilização de amostras reais de instrumentos.

Mas o que fica gravado em sua DAW de fato é a informação MIDI no formato digital, que você pode alterar de forma muito mais simples, inclusive modificar o timbre do piano para um timbre de saxofone ou qualquer outro instrumento dos quais você disponha de amostras de som.

Caso você não tenha bons conhecimentos sobre técnicas de microfonação para captar de forma excelente o som de um piano,  temos mais um ponto para o audio digital, porque facilita e agiliza sua produção muito mais que a captação analógica.

Agora partindo para o quesito número 4: Efeitos.

E entenda efeitos como: ganho de volume, compressor, equalizador, reverb, delay, etc…

Você pode aplicar efeitos com equipmantos analógicos ou pode utilizar apenas plugins, que são algoritmos computacionais, que funcionam de forma totalmente digital.

E aqui eu vou direto ao ponto, a melhor forma de aplicar efeitos é utilizar equipamentos analógicos!

E por que eu afirmo isso?

Porque os equipamento analógicos são construídos para te dar poucas possibilidades, geralmente apenas as possibilidades que podem melhorar o seu audio.

É muito difícil um equipamento analógico profissional de audio te possibilitar estragar totalmente o seu som.

Quer ver um exemplo: o Fusion da marca SSL. Esse talvez seja o equipamento analógico mais vendido de todos os tempos.

Porque ele é um tudo em um, que só favorece a melhoria da sua música.

Ele tem: entrada e saída stereo, ganho de volume na entrada e na saída, Drive de distorção, filtros passa baixa e passa alta, compressor, controle da figura stereo, entre outras coisas.

Se você sonha em ter vários equipamentos analógicos, e ainda não tem nenhum, comece pelo Fusion, que mesmo sendo caro, te dá um excelente custo/benefício.

E só pra explicar melhor, sobre os plugins, os efeitos digitais, eles te dão todas as chances possíveis de estragar o som.

Porque na maioria das vezes eles são desenvolvidos por pessoas que entendem de programação, de computador e não de música.

Aí os presets desses plugins sim, geralmente são feitos por músicos, mas eles não entendem direito como o algoritmo do plugin funciona.

Então isso tudo faz dos plugins algo muito complexo e muitas vezes os manuais desses softwares não contém toda a informação necessária para compreendê-los.

E aí você precisa gastar muito mais tempo para entender como de fato eles funcionam com a sua música.

Com isso, dois a dois no placar, e temos agora o último quesito para desempatar e saber se o audio vitorioso será o Audio analógico ou o Audio Digital.

O último quesito é: a mixagem!

É melhor mixar digitalmente ou analogicamente?

E eu deixei por último esse quesito porque é o mais complicado de todos para chegar a uma conclusão.

Num mundo ideal, ou se estivéssemos ainda nos anos 90, o melhor seria mesmo mixar diretamente num gravador de rolo multi pistas, mas hoje em dia eles são itens muito raros e muito caros.

A mixagem que eles fazem envolve tantas variáveis analógicas, devido a suas inúmeros conexões internas e seus variados circuitos de transformação que isso por si só mixa naturalmente o som tornando ele agradável aos nossos ouvidos sem a necessidade de truques avançados para mixar.

Já a mixagem totalmente digital precisa de muitos truques na hora da mixagem final e muito mais esforço.

Por isso poucos são os profissionais no mercado que realmente conseguem mixar totalmente em digital com qualidade, porque é necessário muito mais conhecimento.

E para celebrar essa vitória apertada por três a dois do Audio Analógico sobre o Audio Digital, eu sugiro estes dois equipamentos para uma mixagem analógica “moderna”, sem a necessidade de um gravador de rolo:

O primeiro deles seria uma interface de audio profissional com muitas saídas analógicas e que tenha um controle de clock preciso.

Neste caso a minha sugestão é o Orion 32 plus da marca Antelope.

Ela possui interfaces USB e Thunderbolt. Além de saídas analógicas que já estão dispostas em conectores DB25.

Elas se conectam perfeitamente com o outro equipamento, o MixDream XP da marca SPL.

Esse equipamento é um summing analógico que soma todas as trilhas sonoras numa mixagem stereo.

O circuito que faz essa soma é todo discreto, com transistores de potência, e operam como vários Amplificadores Operacionais de Classe A com tensão de 60V, ou seja, o dobro de tensão de um circuito integrado de audio, e isso garante mais detalhes no som mixado.

Resultado Final hipotético: AUDIO ANALÓGICO 3 x 2 AUDIO DIGITAL

Links da loja alemã Thomman.de para os Softwares e Equipmantos citados neste post:

Native Instruments Komplete 13

SSL Fusion

Antelope Orion 32+ | Gen 3

SPL MixDream XP

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